A ganância e a mentira podem destruir

Que mundo é esse em que as pernas da mentira já não são tão curtas como nos tempos de minha avó? Quando havia dúvida ela logo dizia que “mentira tem perna curta” e, para amedrontar as crianças, porque naquela época ninguém queria se tornar ladrão, ela acrescentava que: “um mentiroso é um ladrão” (il bugiardo è un ladro).

“Sem mentira, expressa ou encenada, não se pode ludibriar a vítima para roubá-la”, diz Oswaldo Wendell. Roubar o dinheiro, a paz, a honra, ou a liberdade? A expressão com certeza tem esse sentido mais amplo, pois o próprio Wendell acrescenta: “A mentalidade da sociedade brasileira hoje se apresenta como um imenso campo de trigo em que o inimigo semeou joio. E semeou mais joio do que trigo. E o joio crescido já ameaça sufocar o trigo. Como o dono do trigo deve fazer para restaurar sua plantação, sem danificar o trigo? ”

Está difícil para separarmos o joio do trigo. Ainda há pouco assisti a dois vídeos no Youtube, um com o título “Glenn Greenwald Preso - Editor Chefe do Site Assume Tudo em Gravação”: um anônimo esculhamba o jornalista do The Intercept acusando-o de forjar as gravações que incriminam Moro e a equipe do Ministério Público comandada por Dallagnol; em outro vídeo, intitulado “A Lava Jato era apenas o batedor incumbido de explodir as pontes”, o jornalista Luís Nassif, por sua vez, e estou com ele, acusa a equipe de Curitiba de forjar delações e prisões.

Outro exemplo de dificuldade: no domingo passado a Globo News promoveu uma entrevista com o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Uma grande equipe de comentaristas políticos pôs o Ministro em uma roda e, mal comparando, [pois jornalistas têm mesmo a função de apertar o entrevistado], parecia uma alcateia de hienas acuando um leão [apesar de Gilmar Mendes nem sempre ser leão]. Havia uma demonstração inequívoca de que a Globo defendia Moro enquanto Gilmar argumentava, referindo-se à equipe da Lava a Jato, que a Justiça não poderia jamais combater o crime com ações criminosas.

Dizer a verdade está se tornando perigoso, bem ou mal, George Orwell, no início do século 20, já afirmava que “numa época de mentiras universais, dizer a verdade é um ato revolucionário”.

Sejamos todos revolucionários, portanto, pois a mentira, aliada de primeira hora à ganancia, nos destrói: provoca guerras, implanta ditaduras, explora e até escraviza aqueles que não nasceram em berços de ouro. A ganância leva à mentira para poder justificar-se. Na Roma antiga os escravos e os soldados eram iludidos para manter um patriciado rico e ocioso. Na Idade Média os servos da gleba eram convencidos de que tudo acontecia pela vontade de Deus, o que justificava as três ordens: a dos que guerreavam, dos que oravam e daqueles que trabalhavam. Com o advento do capitalismo [comercial, industrial, financeiro e neoliberal, que é apenas um aprofundamento], as elites e os governos que as representam, desenvolveram a ideia de meritocracia, defendem que somos o que somos pela nossa competência, individualmente, afirmam, somos responsáveis pelos nossos fracassos, não por ausência de políticas sociais.

Atualmente, mesmo jornalistas investigativos que passam longo tempo pesquisando determinadas matérias para chegarem à verdade e cientistas sociais comprometidos com a comprovação de seus estudos, são desqualificados em redes sociais. Eleições legítimas, como a da UFGD, por exemplo, são vergonhosamente anuladas por mentiras. Por ganância, não só de dinheiro, mas de poder. O poder ofusca governos e gestores despreparados para agirem democraticamente e isso é um perigo enorme, porque leva às ditaduras e aí, mentiras e mais mentiras para sustentar o insustentável.

E se alguém disser a verdade? Só com muita coragem, pois as ditaduras perseguem, prendem, torturam e matam. Em certas circunstâncias, como já disse Carlos Drummond de Andrade [De notícias e não notícias faz-se a crônica]:  “A verdade é aquele ser não convidado, que aparece e dá vexame nos lugares mais sofisticados do mundo”.

Pode dar vexame, mas tem que ser dita. A verdade haverá de prevalecer, porque é preciso resistir à mentira e à ganância, é preciso lutar, pois “a mão que toca um violão / Se for preciso faz a guerra” e “ o mesmo pé que dança um samba / Se preciso vai à luta [Marcos Valle “Viola Enluarada]. 

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Livros

2010: O ANO QUE NÃO ACABOU PARA DOURADOS

A obra ora apresentada é uma coletânea de crônicas publicadas em diversos meios de comunicação no ano de 2010. Falam, sempre com elegância e fluidez, de nossas vidas, de acontecimentos e de possíveis eventos em nosso país, especialmente em nosso município.

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MEDIEVO PORTUGUES: O REI COMO FONTE DE JUSTIÇA NAS CRÔNICAS DE FERNÃO LOPES

Nossa preocupação, nesse trabalho, foi a de estudar o comportamento dos reis, no que concerne à aplicação da Justiça, baseados nas crônicas de Fernão Lopes.

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Crônicas: Educação, Cultura e Sociedade

O livro ora apresentado é um apanhado de 104 crônicas, algumas de 1978 e a maioria escrita a partir de 1995 até a presente data. O tema Educação compõe-se de 56 crônicas, outras 16 são relatos descrevendo fábulas ou estórias oriundas da cultura italiana, e os emas Cultura e Sociedade compreendem, cada um, 16 crônicas.

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Crônicas: globalização, neoliberalismo e política

Esta obra foi editada em 2011 pela Editora da UFGD e reune 99 crônicas escritas principalmente nos últimos quinze anos, versando sobre a globalização, o neoliberalismo e política

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[2009] EDIFICANDO A NOSSA CIDADE EDUCADORA

Esse trabalho tem três objetivos principais, cada qual contemplado em uma das três partes do livro, como se verá adiante. O primeiro é oferecer ao leitor algumas reflexões sobre temas que ocupam o nosso dia-a-dia; o segundo é divulgar os vinte princípios das Cidades Educadoras e, finalmente o terceiro, é tornar público o projeto que nos orienta na transformação de Dourados em uma Cidade Educadora e mostrar os primeiros passos para a operacionalização desse projeto.

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[1998] Até aqui o Laquicho vai bem: os causos de Liberato Leite de Farias

Ao refletir sobre a importância do contador de causos/narrador para a preservação da cultura, percebe-se que cada vez menos pessoas sabem como contar/narrar, com a devida competência, as experiências do cotidiano. Por quê? Para Walter Benjamin, as ações motivadoras das experiências humanas são as mais baixas e aterradoras possíveis em tempos de barbárie; as nossas experiências acabam parecendo pequenas ou insignificantes diante da miséria e da fragmentação humana, numa constatação que extrapola os espaços nacionais.

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[1991] O MOVIMENTO REIVINDICATÓRIO DO MAGISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL: 1978 - 1988

Momentos de grandes mobilizações têm teito do professorado de Mato do Sul a vanguarda do movimento sindicalista deste Estado. Este fato motivou a realização deste trabalho, que teve como proposta inicial analisar criticamente o movimento reivindicatóno do magistério de Mato Grosso do Sul, na perspectiva de revelar-lhe, tanto quanto possível, o perlil de luta, ao longo de sua palpitante trajetória em busca de melhorias salariais, estabilidade empregatícia e melhoria da qualidade do ensino.

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