Absorvente de agrotóxico e ainda mais...

 Em recente crônica [Futurologia: o que será o amanhã?], navegando com o pensamento em correnteza contrária ao pessimismo sobre o futuro de nosso planeta, cheguei a prognosticar que “os agrotóxicos, se não forem totalmente substituídos por produtos naturais no combate às pragas, serão eliminados quando embalados em caixas capazes de absorvê-los”. Eureca! E não é que a Universidade Federal de Minas Gerais criou uma espuma que absorve agrotóxicos da água e de alimentos? Ainda é pouco, o produto precisa ser aperfeiçoado e adaptado para que possa, por exemplo, absorver nos invólucros que envolvem produtos alimentícios, os elementos nocivos à saúde. Muito caminho há para ser percorrido, o que seria facilitado se a elite econômica brasileira fosse perspicaz e investisse em tecnologias dessa natureza, criando uma nova galinha dos ovos de ouro.

Outra pesquisa de universidade brasileira me fez lembrar de uma marchinha carnavalesca de 1954, imortalizada por Linda Batista, “A marcha da Penicilina” que dizia “petróleo bruto faz nascer cabelo...”. Imaginem! Mas é que a UFMG criou recentemente, além da espuma absorvente de agrotóxico, um tônico capilar que faz nascer cabelo. No entanto, a ANVISA, sempre muito exigente com produtos farmacêuticos brasileiros, rejeitou em parte os resultados. Serão necessários ainda mais investimentos e tempo. As criações científicas não acontecem em passe de mágica, muitas delas são frutos de esforços transgeracionais.

Por tudo o que as universidades públicas realizam, defende-las deveria ser um dever de todos, independentemente de posição social. Sem a penicilina, as vacinas e a filosofia, morreriam mais cedo tanto pobres quanto ricos. As universidades e os institutos de pesquisas são os grandes responsáveis pela produção do conhecimento nessas áreas. Filosofia também? Não só filosofia, mas todos os ramos de ciências [Na Alemanha a filosofia é estudada inclusive nos cursos de Medicina].

Sem anestesia, antigamente, eram reconhecidos como melhores médicos ortopedistas aqueles que conseguiam serrar com maior rapidez uma perna gangrenada. E quem não se lembra dos filmes mostrando que para se retirar uma bala encravada o “anestésico” e, ao mesmo tempo o desinfetante, era o uísque.

 

Desinfetante! Um dos grandes problemas dos hospitais é a chamada “infecção hospitalar”, felizmente pesquisada e resolvida em muitos casos, a exemplo da UFGD que reduziu a zero a taxa de infecção relacionada à assistência na UTI Adulto do HU-UFGD. Bom lembrar que a exemplo das universidades mais antigas, a UFGD, desenvolve centenas de pesquisas que contribuem para com o desenvolvimento da região em todos os campos das ciências [para uma ideia, mesmo que parcial, verifique ufgd.edu.br, link editora, e entre no catálogo de livros produzidos e que podem ser baixados gratuitamente].

Quantas dos milhares de boas práticas poderiam ser enaltecidas pelos trabalhos do conjunto das universidades públicas brasileiras, no entanto, ao contrário do que fazem os países Europeus e boa parte dos Orientais, ela está a cada dia mais vilipendiada, no Brasil, pela ideologia neoliberal que pretende destruí-la para apropriar-se, também, do ensino como instrumento de dominação.

Países preocupados com o seu desenvolvimento e cônscios de sua soberania, possuem políticas atrativas para cientistas de todo o mundo, por outro lado, países cuja elite é atrasada e subserviente, degredam os seus, seja por atos institucionais, por salários incompatíveis, ou por absoluta falta de investimentos em equipamentos.

Acontecimentos historicamente recentes ajudam a explicar porque o Brasil ainda não possui sequer um prêmio Nobel. Durante a ditadura foram caçados e exilados perto de 500 cientistas brasileiros [483, segundo super-abril.com.br]. O governo Sarney impediu contratação de professores para as Universidades, com FHC o processo de sucateamento se aprofundou, agora o ataque é aterrador. Os argumentos utilizados são diabólicos, dizem que há fraudes em eleições que não elegem professores de direita, que a universidade é frequentada por maconheiros, pessoas nuas, docentes comunistas, quando na verdade o que se pretende é a privatização do ensino.

A atual investida contra universidades tem ao menos um ponto positivo, faz com que a sociedade as conheça melhor.

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Livros

2010: O ANO QUE NÃO ACABOU PARA DOURADOS

A obra ora apresentada é uma coletânea de crônicas publicadas em diversos meios de comunicação no ano de 2010. Falam, sempre com elegância e fluidez, de nossas vidas, de acontecimentos e de possíveis eventos em nosso país, especialmente em nosso município.

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MEDIEVO PORTUGUES: O REI COMO FONTE DE JUSTIÇA NAS CRÔNICAS DE FERNÃO LOPES

Nossa preocupação, nesse trabalho, foi a de estudar o comportamento dos reis, no que concerne à aplicação da Justiça, baseados nas crônicas de Fernão Lopes.

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Crônicas: Educação, Cultura e Sociedade

O livro ora apresentado é um apanhado de 104 crônicas, algumas de 1978 e a maioria escrita a partir de 1995 até a presente data. O tema Educação compõe-se de 56 crônicas, outras 16 são relatos descrevendo fábulas ou estórias oriundas da cultura italiana, e os emas Cultura e Sociedade compreendem, cada um, 16 crônicas.

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Crônicas: globalização, neoliberalismo e política

Esta obra foi editada em 2011 pela Editora da UFGD e reune 99 crônicas escritas principalmente nos últimos quinze anos, versando sobre a globalização, o neoliberalismo e política

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[2009] EDIFICANDO A NOSSA CIDADE EDUCADORA

Esse trabalho tem três objetivos principais, cada qual contemplado em uma das três partes do livro, como se verá adiante. O primeiro é oferecer ao leitor algumas reflexões sobre temas que ocupam o nosso dia-a-dia; o segundo é divulgar os vinte princípios das Cidades Educadoras e, finalmente o terceiro, é tornar público o projeto que nos orienta na transformação de Dourados em uma Cidade Educadora e mostrar os primeiros passos para a operacionalização desse projeto.

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[1998] Até aqui o Laquicho vai bem: os causos de Liberato Leite de Farias

Ao refletir sobre a importância do contador de causos/narrador para a preservação da cultura, percebe-se que cada vez menos pessoas sabem como contar/narrar, com a devida competência, as experiências do cotidiano. Por quê? Para Walter Benjamin, as ações motivadoras das experiências humanas são as mais baixas e aterradoras possíveis em tempos de barbárie; as nossas experiências acabam parecendo pequenas ou insignificantes diante da miséria e da fragmentação humana, numa constatação que extrapola os espaços nacionais.

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[1991] O MOVIMENTO REIVINDICATÓRIO DO MAGISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL: 1978 - 1988

Momentos de grandes mobilizações têm teito do professorado de Mato do Sul a vanguarda do movimento sindicalista deste Estado. Este fato motivou a realização deste trabalho, que teve como proposta inicial analisar criticamente o movimento reivindicatóno do magistério de Mato Grosso do Sul, na perspectiva de revelar-lhe, tanto quanto possível, o perlil de luta, ao longo de sua palpitante trajetória em busca de melhorias salariais, estabilidade empregatícia e melhoria da qualidade do ensino.

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