Por uma inversão na reforma previdenciária e trabalhista

As cidades não precisam dormir, que funcionem, portanto, durante as 24 horas do dia, mas os seres humanos necessitam repouso e trabalhar num limite que lhes permita evitar acidentes no trabalho e na sua própria saúde. Quanto mais desenvolvido um país, menos horas semanais se trabalha. Na Alemanha o trabalhador bem remunerado pode escolher trabalhar apenas 28 horas semanais, na Holanda 29, Dinamarca, Noruega, 33, Irlanda 34, Suíça, Bélgica e França 35, Austrália e Itália 36. Na maior parte do restante do mundo a média de horas semanais trabalhadas é de 40. O Brasil, com 44 horas, só perde para a Índia que ainda mantém 48 horas de trabalho semanal.

Tomando por parâmetro a Alemanha, porque reflete a situação dos demais países acima citados: o salário médio dos trabalhadores é de 4 mil e trezentos dólares [cerca e 16 mil reais] e a idade média para aposentadoria vai de 60 anos atualmente até atingir 67 anos a partir de 2022, ou até 2029, no caso da Espanha.

Significa dizer que à medida em que a longevidade aumenta, aumentam também os anos a serem trabalhados. Mas vale lembrar que a expectativa de vida dos cidadãos europeus está acima dos 83 anos e no Brasil em torno de 75, portanto o aposentado Europeu tem possibilidade de desfrutar muito mais anos de aposentadoria do que o brasileiro. Essa diferença está relacionada à boa alimentação, assistência à saúde, sesta após o almoço, diminuição das horas trabalhadas semanalmente enfim, às melhores condições de vida do europeu.

Quando se diminui a carga horária semanal presume-se a abertura de novas vagas para os jovens e desempregados, mas não é por isso que o índice de desemprego nesses países acima mencionados gira em torno de 3,4% a 5%. As vagas provocadas pela diminuição da carga horária semanal são preenchidas pelos avanços na informática e robótica, não pelos jovens.

Essa constatação nos leva a perguntar: quem produz os avanços tecnológicos que geram o desemprego estrutural? São porventura os banqueiros que criam os artefatos digitais que levam o cliente ao autoatendimento e consequente diminuição de funcionários? São os industriais que produzem robôs capazes de fabricar carros? Não, são os trabalhadores que geram os avanços, embora sejam expropriados daquilo que eles mesmos produzem.

Vivemos, portanto, um paradoxo. Os trabalhadores geram os meios de produção que produzem o desemprego, os detentores do capital apropriam-se deles, enriquecem cada vez mais vertiginosamente enquanto que o trabalhador tem que trabalhar mais anos para não “quebrar” a previdência.

Para onde irão os desempregados? Chegaremos a realizar as previsões de Yuval Noah Harari, na obra “Homo Deus: uma breve história do amanhã”, em que a inteligência artificial produzira robôs capazes de submeter a humanidade, transformando-se em novos deuses? E a classe trabalhadora se tornaria desnecessária e seria confinada em cidades muradas e alimentada com pílulas semelhantes àquelas usadas por astronautas. São muitas as hipóteses, por mais absurdas que possam parecer, até de que os homens poderiam ser castrados quimicamente até que a pobreza sumisse da face da Terra.

Então, se a redução da carga horária semanal não resolve plenamente o problema do desemprego, que fazer com os trabalhadores, especialmente os jovens, sabendo-se que aumentando a idade para a aposentadoria não se abre vagas para o mercado de trabalho?

Dado espantoso: 1% dos ricos detém 80% da riqueza mundial. 62 pessoas acumulam mais riqueza do que metade da população mundial e, no Brasil, 6 pessoas acumulam mais do que 50% do restante do povo. Se considerarmos isso justo, então que se aumente a idade para que os trabalhadores se aposentem, no entanto, se acharmos absurdo, então haveremos de convir que o sistema econômico predominante no Mundo todo é injusto e que as reformas na previdência ao invés de aumentar a idade mínima para a aposentadoria deveriam diminuir, abrindo-se assim vagas para os jovens trabalharem ao menos algumas horas por semana.

O problema está na distribuição da riqueza, se os governantes taxassem as grandes fortunas favorecendo o povo trabalhador, ao invés de aumento da idade mínima para a aposentadoria, poderia haver redução, isso sim. Então haveria mais empregos, mais cultura, lazer e ócio criativo.

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Livros

2010: O ANO QUE NÃO ACABOU PARA DOURADOS

A obra ora apresentada é uma coletânea de crônicas publicadas em diversos meios de comunicação no ano de 2010. Falam, sempre com elegância e fluidez, de nossas vidas, de acontecimentos e de possíveis eventos em nosso país, especialmente em nosso município.

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MEDIEVO PORTUGUES: O REI COMO FONTE DE JUSTIÇA NAS CRÔNICAS DE FERNÃO LOPES

Nossa preocupação, nesse trabalho, foi a de estudar o comportamento dos reis, no que concerne à aplicação da Justiça, baseados nas crônicas de Fernão Lopes.

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O livro ora apresentado é um apanhado de 104 crônicas, algumas de 1978 e a maioria escrita a partir de 1995 até a presente data. O tema Educação compõe-se de 56 crônicas, outras 16 são relatos descrevendo fábulas ou estórias oriundas da cultura italiana, e os emas Cultura e Sociedade compreendem, cada um, 16 crônicas.

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Crônicas: globalização, neoliberalismo e política

Esta obra foi editada em 2011 pela Editora da UFGD e reune 99 crônicas escritas principalmente nos últimos quinze anos, versando sobre a globalização, o neoliberalismo e política

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[2009] EDIFICANDO A NOSSA CIDADE EDUCADORA

Esse trabalho tem três objetivos principais, cada qual contemplado em uma das três partes do livro, como se verá adiante. O primeiro é oferecer ao leitor algumas reflexões sobre temas que ocupam o nosso dia-a-dia; o segundo é divulgar os vinte princípios das Cidades Educadoras e, finalmente o terceiro, é tornar público o projeto que nos orienta na transformação de Dourados em uma Cidade Educadora e mostrar os primeiros passos para a operacionalização desse projeto.

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Ao refletir sobre a importância do contador de causos/narrador para a preservação da cultura, percebe-se que cada vez menos pessoas sabem como contar/narrar, com a devida competência, as experiências do cotidiano. Por quê? Para Walter Benjamin, as ações motivadoras das experiências humanas são as mais baixas e aterradoras possíveis em tempos de barbárie; as nossas experiências acabam parecendo pequenas ou insignificantes diante da miséria e da fragmentação humana, numa constatação que extrapola os espaços nacionais.

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[1991] O MOVIMENTO REIVINDICATÓRIO DO MAGISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL: 1978 - 1988

Momentos de grandes mobilizações têm teito do professorado de Mato do Sul a vanguarda do movimento sindicalista deste Estado. Este fato motivou a realização deste trabalho, que teve como proposta inicial analisar criticamente o movimento reivindicatóno do magistério de Mato Grosso do Sul, na perspectiva de revelar-lhe, tanto quanto possível, o perlil de luta, ao longo de sua palpitante trajetória em busca de melhorias salariais, estabilidade empregatícia e melhoria da qualidade do ensino.

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