Pepi Bipolar e a libertação de Lula [ou as maluquices de Bepi]

Na sua cidade natal, a distante Cafundó, Bepi Bipolar, que ora está ligado no polo do senso, ora do não senso, encontra-se mais uma vez com o seu amigo Tino Sonso e, como de costume, sentam-se à sombra de um florido ipê da praça.

Pois é, vai relatando Bepi, ao atento amigo: Cansei desse solta e prende do ex-presidente Lula, um manda soltar, outra manter preso, um pede novamente a soltura, outro abre novo processo. Está mesmo de amargar e eu, que acredito que ele seja um preso político, tão indignado fiquei que comecei a pedir a tudo quanto é santo que me permitisse um meio para liberta-lo. Garanto que muita gente pensa em libertá-lo, mas eu fui privilegiado. Ontem, enquanto eu pescava, ouvi um zumbido, como se fosse de enxame de abelhas, mas eram disco-voadores. Dezenas deles, não maiores do que um prato de sopa sobreposto a outro. A princípio fiquei um pouco assustado, depois alucinado ao ver que de dentro de um daqueles discos saiu um homem do meu tamanho. Como pode um ser com mais de um metro e setenta sair de dentro de uma coisa tão pequena? Mas o susto passou tão logo aquele ser, com o rosto um pouco mais brilhante do que nós humanos, cumprimentou-me em português corrente e explicou-me que tinham vindo para atender ao meu pedido de libertar Lula.

Era um anjo ou um extra-terrestre? ´Perguntou-lhe Tino Sonso.

E Bepi Bipolar, sem puxar o fôlego, continuou. Não, Tino, nem anjo nem ET. Tinham vindo do Planeta Terra mesmo, mas de uma outra dimensão, a sexta dimensão da Terra. Suas naves são pequeninas por fora mas espaçosas por dentro e, como eu mostrei-me surpreso, disse Bepi, ele me chamou para ver aquele assombro de coisa. A nave por dentro era enorme, repleta de aparelhos e gente, dezenas de pessoas se movimentando de um lado para o outro.

Boquiaberto Bepi Bipolar desejou saber como se dava aquele milagre de uma nave ser pequena por fora e grande por dentro, ao que o visitante lhe respondeu que existem coisas que ele só entenderia quando fosse passando de dimensão em dimensão.

O amigo Tino Sonso fez sinal com o indicador no nariz pedindo silêncio e, subindo no banco da praça, olhou detidamente para todos os lados. Somente depois de ver que não havia ninguém ouvindo sugeriu que o amigo continuasse, não antes de adverti-lo de que essa conversa ficaria apenas entre eles. Imaginou, disse Tino, se hoje querem até mesmo uma escola sem partido, como haverão de aceitar que existem várias dimensões na própria Terra?

Bepi, pareceu não ouvir e continuou. Depois de conversar com aquele ser ficou estabelecido o nosso planto de ação e assim fizemos. No dia 4 de dezembro ele me levou com ele em sua nave para Curitiba e ele, que não tem parede que o detenha, entrou na sela onde estava Lula retirou-o de lá e trouxe-o para a nave. Daí seguimos para Brasília, onde estava começando a reunião da segunda turma do Supremo para analisar um pedido de soltura de Lula. À porta do tribunal o Ser colocou uma das mãos sobre meu ombro e a outra sobre o ombro de Lula. Uma sensação estranha nos ocorreu, uma força desconhecida percorria nossas veias. Entramos no tribunal e olhamos nos olhos dos juízes que pareceriam terem se transformado em estátuas. Em seguida saímos a tempo de ouvirmos que, por unanimidade, Lula estava livre. Bastou olharmos para os juízes, aquele Ser da 6ª dimensão, ao colocar suas mãos sobre nossos ombros deve ter nos dado um poder extraordinário. Agora, o que os juízes pensaram para soltar Lula não sei. Talvez tenham pensado que ele tivesse morrido e aparecido para eles em forma de fantasma. Bem, o que importa é que fomos deixar Lula na cadeia para que o processo de soltura transcorresse normalmente, se os juízes pensavam que iriam encontrar um defunto se enganaram.   

Interessante Tino, continuou a falar Bepi Bipolar, é que até então eu só tinha conversado com um Ser e visto apenas aquela nave funcionando. E as outras? Onde estariam, para que vieram? O Ser da 6ª dimensão explicou-me que aquilo era um verdadeiro exército, mas não para fazer a guerra de mortalidade, mas guerra da paz. A única arma daquelas naves era apenas um dispositivo do tamanho de um botão de camisa, que funcionava como um imã. A capacidade desse imã era gigantesca e a potência daquelas naves descomunal. Então, caso houvesse resistência à soltura de Lula, se por exemplo os Estados Unidos mandassem navios e aviões para ajudarem na implantação de mais uma ditadura no Brasil, para então manter Lula preso, aquelas naves se deslocariam até atingirem os aviões e navios, seus imãs grudariam neles e a nave simplesmente mudaria as suas rotas, levando-os de volta aos seus lugares de origem. Se nada ocorresse eles retornariam à 6ª dimensão e Lula poderia ir tranquilo para a Oslo, na Noruega, receber o prêmio Nobel da Paz.

 Bom, disse Tino Sonso, essa sua história a princípio parece-me incrível, especialmente por que, sendo hoje dia 30 de novembro, você relatou fatos do dia 4 de dezembro. Ora, mas se acredito que a terra é plana, que o kit gay foi distribuído, que não há mais o aquecimento global e que a escola deve ser sem partido, por que não haveria de acreditar que você pode fazer o futuro acontecer no presente?

E, ao que me parece, só assim mesmo se soltara Lula.

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