Como se expressam no FACE eleitores de Bolsonaro (2ª parte)

Em resposta a uma amiga do FACE:

Quando amigos do FACE me pediam para excluir as pessoas que teciam críticas aos meus comentários de maneira desrespeitosa, eu dizia “vamos dar um tempo para que possamos conhecê-los”. Daí a amiga diz “que coração bondoso”, mas não era questão de bondade, de paciência sim, para organizar as falas dessas pessoas e talvez um dia fazer um artigo sobre a origem desse grupo neofascista que opera no FACE.

Tive a paciência de copiar e salvar comentários às minhas postagens que resultaram em 115 páginas. Desisti da ideia de fazer um trabalho de análise desses discursos, mas não posso deixar de responder ao pedido de uma amiga que pediu para me manifestar em artigo, o que postam os eleitores de Bolsonaro.

Já afirmei e repeti que os eleitores de Bolsonaro podem ser compreendidos em quatro facções: os inocentes úteis, os mistificados, os fascistas e os da direita não extremista.

Os inocentes uteis costumam dizer: por exemplo: “esse cara [Biasotto] tá piada, só pode!! Tá com gozação! Não pode que um professor inteligente igual a ele, está defendendo um povo imundo desses!”.

Ora vejamos: primeiro a contradição, sou “um professor inteligente”, mas “defendendo um povo imundo”.  O professor ele conhece, mas o povo imundo deve ser os petistas, que ele sabe ser imundo pela TV. É comentário de uma mentalidade ingênua.

Mais uma de inocentes: “ [Bolsonaro] vai tirar todos os cargos comissionados, e isso já será um bom começo, seja quem for, doa a quem doer, a limpa será feita”.

Já pensaram os meus caros amigos, se é possível governar sem cargos comissionados? 

Os mistificados se manifestam ora nos desejando força, como quando estive doente: “força meu amigo, que as dificuldades se transformem em aprendizados e ensinamentos”; “que Deus cuide pra que isso se resolva, força e melhoras. É a minha oração”.   Depois de nos desejarem bondades nos condenam por sermos de esquerda: “Resistência...A esquerda disse que vai começar a protestar já essa semana... E trabalhar, vocês começam quando??? Ou ainda:  “A verdade é uma só...hj em dia quem fica idolatrando ainda esse PT são os que levam algum tipo de vantagem...um ser que tem um pouquinho de espírito brasileiro não faria isso”. Esse tipo de eleitor só pode pertencer à classe dominante que, como disse Castoriades: “Não consegue mistificar as demais classes sociais, sem mistificar-se a si mesma”.

Os fascistas são mais rudes: Tem razão Norberto Bobbio: sobre o fascista:
“Ele acusa, insulta, agride como se fosse puro e honesto".

Identifico como nazifascistas os que não usam argumentos para contraporem-se às ideias, então ofendem, a exemplo do que diz: “ só um tonto feito vc Wilson [Biasotto] para defender bandido”, ou “ vai assombrar porco Wilson Biasotto arrancar quadrilha do poder não é golpe é faxina”. Ainda: “é outro militonto burro igual a uns que estudaram para ser Dr e ficou burro né biasotto”; “deixa de ser idiota Biasotto”. Essa próxima é estonteante: “Vc ficou sabendo que o Chico Buarque nunca compos porcaria nenhuma? Uma farsa como todo petista. Ele tava reclamando de um tal Ahmed que nunca entregava as canções pra aumentar o preço. Ahahahah”. Por fim uma que representa a máxima neofascista: “ VIVA A OPRESSÃO! ”.

Os eleitores de direita são conscientes de suas posições: “Caro Prof. Wilson Biasotto, você realmente tem voz junto ao seus e outros, só isto explicaria a necessidade quase diária de entrarem nos seus posts para o desmerecer. Se sua palavra não fosse algo real ou próximo disto, ninguém estaria perdendo este tempo. Não concordo com tudo o que diz, mas o respeito deve ser básico em qualquer debate”.

Em resumo, excluindo-se a direita esclarecida a conclusão é que o ódio ao PT, disseminado ao longo dos últimos anos, foi maior do que o amor pela democracia.

Concordo com Baltazar Gracián [A arte da prudência], quando diz que "A paciência nos traz uma inestimável paz interior, que é a felicidade da terra. E quem não sabe como aguentar os outros deve se recolher em si próprio, se é que consegue se tolerar".

É mais ou menos isso, só que não tive paciência para cotejar mais e melhor as minhas anotações para poder contemplar ainda com mais profundidade o pedido de minha amiga.

A reprodução do texto é permitida desde que citada a fonte.

Voltar

Livros

2010: O ANO QUE NÃO ACABOU PARA DOURADOS

A obra ora apresentada é uma coletânea de crônicas publicadas em diversos meios de comunicação no ano de 2010. Falam, sempre com elegância e fluidez, de nossas vidas, de acontecimentos e de possíveis eventos em nosso país, especialmente em nosso município.

Ver

MEDIEVO PORTUGUES: O REI COMO FONTE DE JUSTIÇA NAS CRÔNICAS DE FERNÃO LOPES

Nossa preocupação, nesse trabalho, foi a de estudar o comportamento dos reis, no que concerne à aplicação da Justiça, baseados nas crônicas de Fernão Lopes.

Ver

Crônicas: Educação, Cultura e Sociedade

O livro ora apresentado é um apanhado de 104 crônicas, algumas de 1978 e a maioria escrita a partir de 1995 até a presente data. O tema Educação compõe-se de 56 crônicas, outras 16 são relatos descrevendo fábulas ou estórias oriundas da cultura italiana, e os emas Cultura e Sociedade compreendem, cada um, 16 crônicas.

Ver

Crônicas: globalização, neoliberalismo e política

Esta obra foi editada em 2011 pela Editora da UFGD e reune 99 crônicas escritas principalmente nos últimos quinze anos, versando sobre a globalização, o neoliberalismo e política

Ver

[2009] EDIFICANDO A NOSSA CIDADE EDUCADORA

Esse trabalho tem três objetivos principais, cada qual contemplado em uma das três partes do livro, como se verá adiante. O primeiro é oferecer ao leitor algumas reflexões sobre temas que ocupam o nosso dia-a-dia; o segundo é divulgar os vinte princípios das Cidades Educadoras e, finalmente o terceiro, é tornar público o projeto que nos orienta na transformação de Dourados em uma Cidade Educadora e mostrar os primeiros passos para a operacionalização desse projeto.

Ver

[1998] Até aqui o Laquicho vai bem: os causos de Liberato Leite de Farias

Ao refletir sobre a importância do contador de causos/narrador para a preservação da cultura, percebe-se que cada vez menos pessoas sabem como contar/narrar, com a devida competência, as experiências do cotidiano. Por quê? Para Walter Benjamin, as ações motivadoras das experiências humanas são as mais baixas e aterradoras possíveis em tempos de barbárie; as nossas experiências acabam parecendo pequenas ou insignificantes diante da miséria e da fragmentação humana, numa constatação que extrapola os espaços nacionais.

Ver

[1991] O MOVIMENTO REIVINDICATÓRIO DO MAGISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL: 1978 - 1988

Momentos de grandes mobilizações têm teito do professorado de Mato do Sul a vanguarda do movimento sindicalista deste Estado. Este fato motivou a realização deste trabalho, que teve como proposta inicial analisar criticamente o movimento reivindicatóno do magistério de Mato Grosso do Sul, na perspectiva de revelar-lhe, tanto quanto possível, o perlil de luta, ao longo de sua palpitante trajetória em busca de melhorias salariais, estabilidade empregatícia e melhoria da qualidade do ensino.

Ver

Contato

Informações de Contato

biasotto@biasotto.com.br