Eleições 2018: haverá um terceiro turno?

As eleições deste ano apresentam singularidades que podem nos conduzir a surpresas inesperadas. A pergunta que não quer calar: ganhe quem ganhar, o resultado final será respeitado?

Uma das peculiaridades dessas eleições é a numerosa intervenção do poder judiciário. Ainda nessa semana que finda, foi determinado que as pessoas que não realizaram o exame biométrico não poderão votar. Proibir que três milhões e meio de brasileiros deixem de votar é inconstitucional, o voto no Brasil é obrigatório, logo todos têm o dever e ao mesmo tempo o direito de votar.  Vale lembrar que esse número de eleitores é mais do que suficiente para definir uma eleição presidencial, como foi o caso de 2014. Mas não é só. Não tem sido incomum decisões contraditórias para um mesmo questionamento: há candidatos condenados em segunda instância concorrendo, há prisioneiros concorrendo e prisioneiros que sequer podem votar.

Talvez até mesmo pior que a intervenção do Judiciário, é o clima que se estabeleceu no país após os movimentos de 2013. Nem falo das frequentes declarações de generais sobre uma possível intervenção militar, mas sim do medo que o povo em geral passou a sentir. Medo de colocar um adesivo no carro e ser agredido por opositores, medo de se pronunciar publicamente. O silêncio de nosso povo mal se reflete nas pesquisas de opinião. Muitas pessoas estão precavidas porque têm visto cenas de violência explícita. Não é o caso dos nazifascistas, esses são orgulhosos de sua agressividade verbal, digital e física e desconhecem o princípio da alteridade [não conseguem se colocar no lugar do outro na relação interpessoal], eles não convencem, mas amedrontam, metralham.

Mal comparando, o Brasil dessas eleições parece-se com uma panela de pressão cuja borracha não está vedando direito a tampa, está esgarçada tal qual o tecido social, e pode explodir. Já se foi o tempo do brasileiro pacato, a anestesia ministrada pela mídia conservadora e pela elite dominante não tem efeito para sempre [ad aeternum].

Por outro lado, há movimentos sociais que estão sendo empurrados para posições mais radicais, a exemplo dos sem-terra e dos sem teto. Poderiam esses movimentos fazer o enfrentamento bélico com os nazifascistas? E para onde irão após as eleições os sem emprego, os quilombolas, os índios, os movimentos LGBT+? Como se comportará a maioria silenciosa? O silêncio muitas vezes amedronta.

E que dizer das “fake news”, esse novo e bonito nome para as velhas mentiras. Elas invadem as redes, não só as sociais, mas as de rádio e televisão e nos desnorteiam, e tem também o reverso, quando se publica uma notícia prejudicial, mas verdadeira, a respeito de determinado candidato, os seus seguidores logo asseveram que é “fake news”.

A descrença nas instituições é patente. O atual governo federal tem a maior rejeição já verificada na história nacional, o legislativo está desacreditado e o judiciário segue o mesmo caminho. Facções de forças ligadas ao executivo como o exército, a polícia federal e o ministério público estão sob suspeita por declarações sobre eventual intervenção militar, prisões coercitivas e imparcialidades nos encaminhamentos de processos.

Dados esses e outros nós górdios de nossa sociedade, é que nasce a polarização nessas eleições. Dos principais candidatos Ciro deixa o eleitorado confuso graças às suas respostas intempestivas; Alkmin, desidrata tanto quanto o seu partido o PSDB; Meirelles, investiu 45 milhões de seu próprio bolso [só isso o estigmatiza], além evidentemente de pregar a mesma política neoliberal de Temer; Marina perdeu o discurso pela estrada de sua trajetória, inclusive por ter apoiado Aécio em 2014. E então: Bolsonaro ou Haddad?

São duas candidaturas antagônicas. A eleição presidencial desse ano não significa simplesmente a troca de um mandatário por outro, estão em disputa dois projetos políticos distintos: Bolsonaro representando a ultradireita e Haddad a centro esquerda. Como historiador de ofício creio na necessidade de uma profunda reflexão sobre o valor do voto nesse momento que estamos vivendo, a começar por estudar não somente a história desses dois candidatos, mas também a história dos sistemas de governo que eles representam, prevendo assim o que eles poderão realizar para o futuro do Brasil.

Terceiro turno não!

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Livros

2010: O ANO QUE NÃO ACABOU PARA DOURADOS

A obra ora apresentada é uma coletânea de crônicas publicadas em diversos meios de comunicação no ano de 2010. Falam, sempre com elegância e fluidez, de nossas vidas, de acontecimentos e de possíveis eventos em nosso país, especialmente em nosso município.

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MEDIEVO PORTUGUES: O REI COMO FONTE DE JUSTIÇA NAS CRÔNICAS DE FERNÃO LOPES

Nossa preocupação, nesse trabalho, foi a de estudar o comportamento dos reis, no que concerne à aplicação da Justiça, baseados nas crônicas de Fernão Lopes.

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Crônicas: Educação, Cultura e Sociedade

O livro ora apresentado é um apanhado de 104 crônicas, algumas de 1978 e a maioria escrita a partir de 1995 até a presente data. O tema Educação compõe-se de 56 crônicas, outras 16 são relatos descrevendo fábulas ou estórias oriundas da cultura italiana, e os emas Cultura e Sociedade compreendem, cada um, 16 crônicas.

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Crônicas: globalização, neoliberalismo e política

Esta obra foi editada em 2011 pela Editora da UFGD e reune 99 crônicas escritas principalmente nos últimos quinze anos, versando sobre a globalização, o neoliberalismo e política

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[2009] EDIFICANDO A NOSSA CIDADE EDUCADORA

Esse trabalho tem três objetivos principais, cada qual contemplado em uma das três partes do livro, como se verá adiante. O primeiro é oferecer ao leitor algumas reflexões sobre temas que ocupam o nosso dia-a-dia; o segundo é divulgar os vinte princípios das Cidades Educadoras e, finalmente o terceiro, é tornar público o projeto que nos orienta na transformação de Dourados em uma Cidade Educadora e mostrar os primeiros passos para a operacionalização desse projeto.

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[1998] Até aqui o Laquicho vai bem: os causos de Liberato Leite de Farias

Ao refletir sobre a importância do contador de causos/narrador para a preservação da cultura, percebe-se que cada vez menos pessoas sabem como contar/narrar, com a devida competência, as experiências do cotidiano. Por quê? Para Walter Benjamin, as ações motivadoras das experiências humanas são as mais baixas e aterradoras possíveis em tempos de barbárie; as nossas experiências acabam parecendo pequenas ou insignificantes diante da miséria e da fragmentação humana, numa constatação que extrapola os espaços nacionais.

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[1991] O MOVIMENTO REIVINDICATÓRIO DO MAGISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL: 1978 - 1988

Momentos de grandes mobilizações têm teito do professorado de Mato do Sul a vanguarda do movimento sindicalista deste Estado. Este fato motivou a realização deste trabalho, que teve como proposta inicial analisar criticamente o movimento reivindicatóno do magistério de Mato Grosso do Sul, na perspectiva de revelar-lhe, tanto quanto possível, o perlil de luta, ao longo de sua palpitante trajetória em busca de melhorias salariais, estabilidade empregatícia e melhoria da qualidade do ensino.

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