O 4 de abril e a consumação do golpe de 2016

        Eram dois brasis, segundo obra de Jacques Lambert, escrita em 1957, o Brasil do desenvolvimento provocado por Juscelino Kubistchek e o outro, o Brasil da desigualdade, provocada por uma elite econômica que, desde a chegada de Cabral, não permitiu que a democracia funcionasse plenamente.

Tivemos uma democracia capenga entre 1889 a 1930 e uma (re)democratização do país entre 1985 a 2016. No mais fomos colônia, reino, império, ditatura e mais ditaduras,

Juscelino tomou posse em 31 de janeiro de 1956, mas a UDN, liderada por Carlos Lacerda, desejava impedi-lo alegando que não havia atingido maioria absoluta dos votos. A parte conservadora do Exército apoiou esse golpe, mas o General Lott promoveu um levante militar que garantiu a posse de JK. 

JK fez “cinquenta anos em cinco”, segundo seu slogan. O surto de desenvolvimento teve como pilares a construção de Brasília e a instalação de grandes empresas automobilísticas no Brasil, não obstante estar vigendo desde 1943 a Consolidação das Leis do Trabalho, significando dizer que a CLT nunca foi empecilho para o desenvolvimento brasileiro, como insinuam os atuais golpistas.

Em 1961 Jânio Quadros assumiu a presidência. O homem da vassoura não passou de um fanfarrão, renunciando ao mandato e gerando nova crise. A elite brasileira e o exército desejavam impedir a posse do vice, João Goulart, por entender que era de esquerda.

A posse de Goulart foi possível graças à Campanha da Legalidade deflagrada por Leonel Brizola e do acordo político que implantou o parlamentarismo no Brasil. Mas, em 1963, um plebiscito consagrou a volta ao presidencialismo e a elite econômica, inconformada, aliou-se ao exército e, a partir de 31 de março de 1964, empurrou o Brasil para a obscuridade. Foram 21 anos de atrocidades, de torturas, mortes e perseguições. A economia, que segundo os defensores do regime militar, foi bem-sucedida, somente teve pequeno impulso porque os norte-americanos compensaram o golpe com uma avalanche de dólares a juros baixos, mas que foram subindo até o país ficar sufocado pela dívida externa.

 Após 1985, com a saída dos militares do poder, a mídia conservadora brasileira, assumiu a voz da elite. Então veio Sarney, veio Collor, vieram Itamar e Fernando Henrique e, com eles, planos para tentar recuperar a destroçada economia brasileira. Planos Cruzado, Collor, Bresser e Verão. Além disso vieram as escandalosas privatizações, a dilapidação do patrimônio público, o sucateamento das universidades a continuidade do empobrecimento do povo.

Historicamente falta à elite brasileira capacidade para governar democraticamente, falta-lhe discernimento para compreender que ela, por si só, é incapaz de produzir o desenvolvimento. Nenhuma nação se desenvolve somente com a elite econômica. É preciso distribuição da renda e da riqueza, salários dignos que proporcionem ao povo boa alimentação, moradia, educação e cultura. Não é só de ração que vive o povo, como pretendia o prefeito de São Paulo, João Dória. 

Com o governo Lula houve distribuição de renda, a fome desapareceu em nosso país e até água foi distribuída, graças a generosidade do São Francisco que levou esperança a mais de 12 milhões de nordestinos. Os dois Brasis pareciam caminhar para a unidade. As desigualdades tendiam a diminuir. E veio Dilma, veio o combate à corrupção da quadrilha de Temer e, novo golpe. A elite brasileira submissa às doutrinas norte-americanas, não suportou nosso desenvolvimento autônomo e provocou o golpe de 2016. Nada muito diferente do que aconteceu a partir da deposição do presidente Lugo no Paraguai. “Com Supremo e tudo”, segundo Jucá.

O 4 de abril, dia em que a ministra Carmem Lúcia não pautou as Ações Diretas de Inconstitucionalidade sobre a prisão em segunda instância, mas apenas o Habeas Corpus de Lula, foi a consumação do golpe.

Os dois Brasis multiplicam-se. Não temos mais apenas o Brasil do desenvolvimento e do atraso, temos o Brasil da elite golpista submetida aos interesses norte-americano, o dos alienados alimentados pela mídia sonegadora; o Brasil, que já foi cordial, transformado em ódio e, pior, o Brasil dos que voltam à miserabilidade.

Moro venceu pelos Estados Unidos e decretou a prisão de Lula 19 minutos após a decisão do Supremo. A Globo venceu. Vitórias de Pirro. A luta continua.

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Livros

2010: O ANO QUE NÃO ACABOU PARA DOURADOS

A obra ora apresentada é uma coletânea de crônicas publicadas em diversos meios de comunicação no ano de 2010. Falam, sempre com elegância e fluidez, de nossas vidas, de acontecimentos e de possíveis eventos em nosso país, especialmente em nosso município.

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MEDIEVO PORTUGUES: O REI COMO FONTE DE JUSTIÇA NAS CRÔNICAS DE FERNÃO LOPES

Nossa preocupação, nesse trabalho, foi a de estudar o comportamento dos reis, no que concerne à aplicação da Justiça, baseados nas crônicas de Fernão Lopes.

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O livro ora apresentado é um apanhado de 104 crônicas, algumas de 1978 e a maioria escrita a partir de 1995 até a presente data. O tema Educação compõe-se de 56 crônicas, outras 16 são relatos descrevendo fábulas ou estórias oriundas da cultura italiana, e os emas Cultura e Sociedade compreendem, cada um, 16 crônicas.

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Crônicas: globalização, neoliberalismo e política

Esta obra foi editada em 2011 pela Editora da UFGD e reune 99 crônicas escritas principalmente nos últimos quinze anos, versando sobre a globalização, o neoliberalismo e política

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[2009] EDIFICANDO A NOSSA CIDADE EDUCADORA

Esse trabalho tem três objetivos principais, cada qual contemplado em uma das três partes do livro, como se verá adiante. O primeiro é oferecer ao leitor algumas reflexões sobre temas que ocupam o nosso dia-a-dia; o segundo é divulgar os vinte princípios das Cidades Educadoras e, finalmente o terceiro, é tornar público o projeto que nos orienta na transformação de Dourados em uma Cidade Educadora e mostrar os primeiros passos para a operacionalização desse projeto.

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[1998] Até aqui o Laquicho vai bem: os causos de Liberato Leite de Farias

Ao refletir sobre a importância do contador de causos/narrador para a preservação da cultura, percebe-se que cada vez menos pessoas sabem como contar/narrar, com a devida competência, as experiências do cotidiano. Por quê? Para Walter Benjamin, as ações motivadoras das experiências humanas são as mais baixas e aterradoras possíveis em tempos de barbárie; as nossas experiências acabam parecendo pequenas ou insignificantes diante da miséria e da fragmentação humana, numa constatação que extrapola os espaços nacionais.

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[1991] O MOVIMENTO REIVINDICATÓRIO DO MAGISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL: 1978 - 1988

Momentos de grandes mobilizações têm teito do professorado de Mato do Sul a vanguarda do movimento sindicalista deste Estado. Este fato motivou a realização deste trabalho, que teve como proposta inicial analisar criticamente o movimento reivindicatóno do magistério de Mato Grosso do Sul, na perspectiva de revelar-lhe, tanto quanto possível, o perlil de luta, ao longo de sua palpitante trajetória em busca de melhorias salariais, estabilidade empregatícia e melhoria da qualidade do ensino.

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