Mais uma liderança perdida
Numa terra tão pobre em lideranças, perdemos mais uma: Egídio Bruneto faleceu na noite de ontem em Ponta Porã, quando se dirigia a um assentamento da Itamaraty, após acidente automobilístico. Acidentes com vítimas fatais são comuns em nossas estradas, comuns também estão se tornando as mortes de lideranças políticas e sindicais nesses acidentes. Egídio Bruneto, no entanto  não era um homem comum. Era uma liderança forjada na luta do campesinato contra o agronegócio, na luta do trabalho contra o capital. Poucos foram os contatos que tive com ele, no entanto sempre que o via percebia paz em seu semblante, sempre que o ouvia me surpreendia com a sua capacidade de analisar a conjuntura. Diria que Egidio era um intelectual, se entendermos por intelectual aquele que é capaz de compreender o seu mundo e o seu povo. Um intelectual orgânico, porque além de entender o mundo, transformava esse seu conhecimento em ação para tentar melhorá-lo.
Egidio compreendia muito bem a existência de duas classes antagônicas: a trabalhadora e a burguesa, e por assim pensar entendia que a luta de classes não deveria ter tréguas. Não havia razão para dourar a pílula. Egidio, como representante da esquerda, não tinha nenhuma razão para eufemismos, isso porque a esquerda, não obstante as suas divergências e incongruências é muito mais objetiva que a direita. Essa, lança mão de eufemismos e subterfúgios, chamando, por exemplo, a empregada doméstica de secretária do lar, como se fosse vergonha ser empregada doméstica ou renega a luta de classes, como se fosse destino ser pobre e trabalhador.  Claro que essas ciladas têm por objetivo obscurecer a consciência do trabalhador.
Morreu Egídio, mas não os seus ideais de construção de uma sociedade mais justa, mais fraterna e mais igual. Morreu Egídio, mas não o MST. Morreu Egídio, mas não a história.
Na luta pela construção de uma sociedade mais justa, o MST de Egídio Bruneto jamais defendeu a luta armada e o banditismo. Jamais procurou eliminar os seus adversários com o uso da espingarda. Talvez eu exagere em comparar o Movimento Sem terra à luta pela liberdade indiana de Gandhi, mas convenhamos, o MST é protagonista de um movimento pacífico, organizado, consciente. Não fosse o MST o que seria do trabalhador rural brasileiro? Não fosse o MST quem conseguiria frear a insana ganância do agronegócio? Não fosse o MST e os Egídios esparramados por esse Brasil de meu Deus, será que o trabalhador despojado de suas terras teria consciência política de sua pobreza?
Pela sua participação na luta pela terra a direção nacional do MST distribuiu nota dizendo que Egídio Bruneto foi um  Militante exemplar, preocupava-se sempre com os cuidados de cada militante. Foi uma pessoa generosa e solidária com todos. Egídio empunhou a bandeira do internacionalismo e da solidariedade às luta dos povos e da classe trabalhadora, responsável pela relação do Movimento com organizações camponesas na América Latina e no mundo, sendo fundador da Via Campesina Internacional. O MST e o povo brasileiro perdem um grande companheiro e um ser humano exemplar, um guerreiro Sem Terra que andou pelo mundo, construindo alianças com a classe trabalhadora”.

 

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Livros

2010: O ANO QUE NÃO ACABOU PARA DOURADOS

A obra ora apresentada é uma coletânea de crônicas publicadas em diversos meios de comunicação no ano de 2010. Falam, sempre com elegância e fluidez, de nossas vidas, de acontecimentos e de possíveis eventos em nosso país, especialmente em nosso município.

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MEDIEVO PORTUGUES: O REI COMO FONTE DE JUSTIÇA NAS CRÔNICAS DE FERNÃO LOPES

Nossa preocupação, nesse trabalho, foi a de estudar o comportamento dos reis, no que concerne à aplicação da Justiça, baseados nas crônicas de Fernão Lopes.

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Crônicas: Educação, Cultura e Sociedade

O livro ora apresentado é um apanhado de 104 crônicas, algumas de 1978 e a maioria escrita a partir de 1995 até a presente data. O tema Educação compõe-se de 56 crônicas, outras 16 são relatos descrevendo fábulas ou estórias oriundas da cultura italiana, e os emas Cultura e Sociedade compreendem, cada um, 16 crônicas.

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Crônicas: globalização, neoliberalismo e política

Esta obra foi editada em 2011 pela Editora da UFGD e reune 99 crônicas escritas principalmente nos últimos quinze anos, versando sobre a globalização, o neoliberalismo e política

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[2009] EDIFICANDO A NOSSA CIDADE EDUCADORA

Esse trabalho tem três objetivos principais, cada qual contemplado em uma das três partes do livro, como se verá adiante. O primeiro é oferecer ao leitor algumas reflexões sobre temas que ocupam o nosso dia-a-dia; o segundo é divulgar os vinte princípios das Cidades Educadoras e, finalmente o terceiro, é tornar público o projeto que nos orienta na transformação de Dourados em uma Cidade Educadora e mostrar os primeiros passos para a operacionalização desse projeto.

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[1998] Até aqui o Laquicho vai bem: os causos de Liberato Leite de Farias

Ao refletir sobre a importância do contador de causos/narrador para a preservação da cultura, percebe-se que cada vez menos pessoas sabem como contar/narrar, com a devida competência, as experiências do cotidiano. Por quê? Para Walter Benjamin, as ações motivadoras das experiências humanas são as mais baixas e aterradoras possíveis em tempos de barbárie; as nossas experiências acabam parecendo pequenas ou insignificantes diante da miséria e da fragmentação humana, numa constatação que extrapola os espaços nacionais.

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[1991] O MOVIMENTO REIVINDICATÓRIO DO MAGISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL: 1978 - 1988

Momentos de grandes mobilizações têm teito do professorado de Mato do Sul a vanguarda do movimento sindicalista deste Estado. Este fato motivou a realização deste trabalho, que teve como proposta inicial analisar criticamente o movimento reivindicatóno do magistério de Mato Grosso do Sul, na perspectiva de revelar-lhe, tanto quanto possível, o perlil de luta, ao longo de sua palpitante trajetória em busca de melhorias salariais, estabilidade empregatícia e melhoria da qualidade do ensino.

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